sábado, 17 de maio de 2008

O beijo de Anteros


Em uma noite mais escura que todas as outras noites
Eu tive um sonho com cores e cheiro,
Sonho com forma e sabor.
Segurava meu coração nas mãos
E ele brilhava como um cristal.
Você chegou mais perto,
Sorrindo um sorriso desconfiado
E eu pensei que fosse você.
Entreguei a você o meu frio coração de quartzo
Na forma de um pingente, para levá-lo sobre o seu.
Você o segurou com mãos preocupadas
Sentado sobre a cama em que sonhei por todas as noites claras.
A luz do teto refletia sobre seu rosto moreno,
Não pude ver nenhuma expressão.
Nessa hora, o vento soprou mais lento,
Nenhum som podia ser ouvido,
Nem mesmo as serpentes se moviam,
Deixaram de lado o seu eterno contato com a terra e voaram
Faziam círculos em minha cabeça
E com suas linguas bifurcadas avisaram-me que o sonho começava a acabar
Que o que sentia não era verdade
E a felicidade, de fato, não me pertencia.
Prometi seguir ao seu lado
Selando um pacto sem sangue, sem amor e sem paixão!
Senti o beijo de Anteros
O calor da tristeza,
A pequenidade do abismo
Percebi que não sonhava mais
Estava acordado
Deitado sobre a cama que você devia estar
Aprisionado no quarto que devia ser nosso
E sofrendo por um sonho
Que só eu sonhei.




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