domingo, 3 de agosto de 2008

As asas da cobra


Sentir-se perdido pode torná-lo mais humano, não saber pra onde correr nem quem são seus inimigos é retornar a fraqueza do corpo humano. Sentir-se afastado de Deus é o que se precisa pra se aproximar Dele sem se afastar de você.

O passado pode ser algo empoeirado, um pouco sujo e triste. Tristeza que vem da nostalgia de ter vivido sem a consciencia de estar vivendo exatamente o que se quer ou talvez a ignorancia de nunca viver o que se quer.

O sofrimento é invevitável pra quem sente, mas banal pra quem ama. Palavras são engolidas pelo sentimento e ações boicotadas em nome de algo que se julga ser maior. Julgamento engraçado esse, que não se sabe de onde veio a moral, nem se vê o juri.

Saudade da totalidade significa que jah se foi inteiro uma vez e por uma mordida na maça se desfez a união pelo conhecimento. Mas para se obter o conhecimento é preciso se admitir um ignorante. Voltar para a totalidade é admitir que se vive uma ilusão baseada na mediocridade do ser humano, que se faz lobo de si mesmo!

O engraçado é ver como a ilusão é a mãe de todos nós, nos mantem nutridos e aquecidos diante do inverno da sabedoria. Sabedoria significa perceber o frio e não senti-lo ou sentir um frio que não existe?

A felicidade mora na ignorância das máscaras colocadas pra uma guerra que não existe de fato. Lutamos pela igualdade esquecendo que somos todos diferentes, igual é QUem nos criou e do Qual somos parte. A sabedoria traz desespero, porque se toma noção da prisão que se vive, é ter noção de suas capacidades sem poder usá-las porque o corpo as limita. Talvez exista uma maneira de se fazer expressar pelo corpo. Mas qual é essa maneira e qual o preço que se paga por expressá-la? Pode ser um preço alto que se paga pela sabedoria inicial, mas quem é o dono da verdade afinal?

O que se pode dizer é que não se pode domar o coração de quem foi além, não se pode dar de presente o que se tem de mais puro e imutável. Saber disso dói n inicio, torna você um louco sem os pés no chão e te tira a fé.

O que te faz melhor pode ser olhar no seu passado e descobrir pelos outros quem realmente se é. A mensagem pode vir daquele que enterrou sua alma sobre as terras infertéis da solidão. E quando isso acontece, ganha-se asas. Asas que o levarão ao paraíso ou ao inferno!

Todo sofrimento só vale a pena quando te leva a perguntar pra onde vai voar quando se tem asas!

terça-feira, 20 de maio de 2008

A alma sempre inteira


a alma é um bem precioso

cobiçada por vários da pocilga.

aclamada por aqueles do abismo

e sentidas por aqueles que só habitam os sonhos.

Diariamente almas são dilaceradas e servidas em banquetes

como nos antigos banquetes dos sabás

satisafazem-se a fome da blasfêmia

com as mãos do desejo impuro.

entre goles de vinho e pratos quentes

despedaçam-se as almas

entregam-se aos porcos

que as prendem na circunferência de seus braços

sem saber manusear, mortais as fazem sofrer

não pagam o preço justo da essencia

nem fazem jus ao júbilo

dançam e bebem entre os seus

na alegria dos tolos

cantam entre violinos sem cordas

direcionam carruagens sem rédeas

e mergulham no abismo cinza do anjo caído

materializam em si o bode das mil noites

e acumulam o maior numero.

por que insistir em quebrar a alma

distribui-la entre os fracos

entre os negros

sem receber por isso.

Se tem que dar a alma a alguem

que se dê ao demônio

que saberá usá-la

irá guarda-la delicadamente em sua chama eterna

e saberá pagar o preço que lhe é pedido

não se deve fornecer a alma por amor
que nada repõe,

não se deve oferta-la sem um preço

sem a garantia do retorno amaldiçoado

deve vende-la

assim, será levada por inteiro

como um açoite

sem quebra-la ou desonra-la

manterás assim a alma inteira

Mesmo que condenada, mas sempre inteira


Sem amor e sem ilusões, sempre inteira

Sem sonhos, nem promessas, sempre inteira.

sábado, 17 de maio de 2008

O beijo de Anteros


Em uma noite mais escura que todas as outras noites
Eu tive um sonho com cores e cheiro,
Sonho com forma e sabor.
Segurava meu coração nas mãos
E ele brilhava como um cristal.
Você chegou mais perto,
Sorrindo um sorriso desconfiado
E eu pensei que fosse você.
Entreguei a você o meu frio coração de quartzo
Na forma de um pingente, para levá-lo sobre o seu.
Você o segurou com mãos preocupadas
Sentado sobre a cama em que sonhei por todas as noites claras.
A luz do teto refletia sobre seu rosto moreno,
Não pude ver nenhuma expressão.
Nessa hora, o vento soprou mais lento,
Nenhum som podia ser ouvido,
Nem mesmo as serpentes se moviam,
Deixaram de lado o seu eterno contato com a terra e voaram
Faziam círculos em minha cabeça
E com suas linguas bifurcadas avisaram-me que o sonho começava a acabar
Que o que sentia não era verdade
E a felicidade, de fato, não me pertencia.
Prometi seguir ao seu lado
Selando um pacto sem sangue, sem amor e sem paixão!
Senti o beijo de Anteros
O calor da tristeza,
A pequenidade do abismo
Percebi que não sonhava mais
Estava acordado
Deitado sobre a cama que você devia estar
Aprisionado no quarto que devia ser nosso
E sofrendo por um sonho
Que só eu sonhei.




domingo, 11 de maio de 2008

Adeus família





Através da janela espio a vida,
Enquanto os passaros tentam amar
Teias de mentiras são tecidas
Sempre em nome de um bem maior.
Sonhos são fabricados e usados como portas
Para escapar das mentiras próprias
Que sujam a alma.
Corpos adoecem em meio aos sonhos
Marcando os sofás com inércia
E, na cozinha, pratos sem gosto são assados.
Algumas mentes sem rumo
Absorvem deseperadamente conhecimentos sem meio de uso
E o chão é limpo da sujeira visível.
Risadas fabricadas na garganta são atiradas na parede
Fazendo recheio a comentários sarcásticos
E, dessa forma, a casa finalmente se desfaz
Deixando para trás um passado não vivido
Amizades feitas em guerra
E, de longe, pode-se ver um futuro que não se vê
A não ser pelos olhos da fé.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Desejos e querências de um benquerer


Quero dedicar-te as mais lindas palavras
e, em teu nome, entoar os mais lindas canções,
plantar as mais belas flores.
libertar os mais belo pássaros.

Quero que sejas meu início e o meu fim,
Que sejas meu "era uma vez" e o meu "Felizes para sempre"
Consagrar-te cada gota de chuva,
Oferecer-te, a cada dia, o nascer e o por do Sol.

Quero que nuvens desenhem teu sorriso no céu
Que estrelas brilhem a luz de teus olhos.
Amar-te é o que quero.
Poder sonhar os mais belos sonhos e torná-los realidade através de tuas mãos.

Aprender teus pratos favoritos e todas as formas de fazer-te sorrir.
Quero conhecer cada parte do teu formoso corpo através das minhas mãos.
Quero proteger-te de todo o mau e, juntos, conhecermos a bondade do mundo.
Poder apertar-te sobre meu peito até aborver a sua essência.

Quero que entre em meu mundo sem pedir licença
Que tire-me o fôlego com um só olhar.
Que minha casa seja em seus braços
E que meus braços sejam sejam teu mundo.

Quero que teu amor seja o meu acalento
E que minha vigilia seja o teu sono.
Quero que faça parte de mim,
Que seja a outra parte de mim.

Quero que seja quem já é,
Quero que seja o meu primeiro e ultimo amor
Quero que sejas meu ar e minha força
Que sejas minha vida e meu destino.

Quero, afinal, que sejas sempre meu.
Só meu.














terça-feira, 25 de março de 2008

Amores


Existem amores que vêm e nos jogam na cama,

nos tiram o sono,

nos levam arrastados pela pele;

mas nenhum amor me tocou como este.


Tem amores que levam de nós a esperança,

nos fazem chorar arrancando nossos pés,

Se mostram com inocência e cheiro de mar

e, quando toca a primeira nota, surram nossas almas.


Existem amores que se apresentam em dor e mágoa,

se acumulam na lingua refletindo o brilho vermelho do vinho

envolvendo a alma como um abraço;

mas nenhum amor me tocou como este.


Tem amores que cantam nos alos de correntes,

sussurram imagens fantasiosas,

provocando febres que simulam o desejo

e gemidos tristes que passam pelo gozo


Existem amores santos, imaculados, iluminados pelas velas dos menos favorecidos

nos forçam a expandir o espírito pra caber todo sofrimento,

fazendo-nos virar a cara diante da vergonha refletida

buscando força naquilo que não tocamos


Tem amores que não desaparecem nos ponteiros,

entram na pele como veneno

despertando sentimentos permissivos;

mas nenhum amor me tocou com este.


Philippe Rodrigues



quinta-feira, 13 de março de 2008

Você não me conhece

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Tenho percebido que suas fotografias já não satisfazem
Só o que tenho de você são lembranças
Sinto que você não me conhece
sou apenas um amigo
mas isto é porque você não me conhece.

Não vai conhecer o sujeito que sonha com você todas as noites
e que te deseja tanto bem
Não vai sentir a magia do antigo povo quando ama
nem o medo da solidão
mas isto é porque você não me conhece

Não conseguirá enxergar o brilho nos olhos
nem o calor salamândrico das mãos
não receberá mensagens pelo ar
nem sentirá o salgado das lágrimas
mas isto é porque você não me conhece

Não se sentirá acolhido em braços fortes
nem sentirá um coração esquentar as encontrar seus olhos
Não sentirá a paz que sinto ao seu lado
nem a dor que sinto ao te ver ir com outro
mas isto é porque você não me conhece

Não saberá até onde se pode ir
nem saberá até onde a paixão pode levar nossas almas
porque sou só um amigo
e é tudo o que tenho sido
mas isto é porque você não me conhece.

Não sentirá a vida tocando sua pele
nem conhecerá novas formas de se deitar
Não conhecerá a cor da noite
nem o homem que te ama tanto
mas isto é porque você não me conhece

Bem, você não me conhece...



Philippe Rodrigues

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Outro alguém










Ainda não aprendi o que é o amor,
mas o reconheci no brilho dos seus olhos.
Não aprendi o que é amar,
mas pude reconhece-lo em seu sorriso.



Sua presença se fez tão rápida que te tenho como um ponto de luz
e nesse momento um pedaço da minha alma se partiu e seguiu.


Seguiu guiando um destino estúpido,
grudou em seu corpo como fazem os parasitas.

Senti o seu corpo em desejo e agonia,
ativo de medo e esperança me pus a sonhar.

O Sol nascendo por entre suas largas costas, brilhando através do seu toque.
tão pesado e almejado toque.

Senti que o vento te soprava para longe
quanto mais longe ia, mais meu desejo aumentava,
mais meu coração rebimbava e mais meu espirito oscilava.
Você me põe medo.



Medo da promessa quebrada, que me vinha a mente com sua camisa jogada no chão,
o fogo ardendo em beltane e você sorrindo lábios dourados.

Seu cabelo sempre igual, seu rosto inocente coberto pelo véu de Maia

sempre me fazem pensar em te laçar e te roubar pra mim.



Mas como pensar no amor se nunca fomos aprensentados formalmente?

Como posso eu ouvir, repetidas vezes, a sua musica angelical ecoando em minha cabeça

o nostalgico refrão...

"Outro alguém...Outro alguém...Outro alguém..."




Poderia te dar muitos nomes.

poderia te chamar de esperança pelo que você provoca em meu coração,

poderia, também, te chamar de inocência, afinal, é o que seu olhar transmite a todos,

gostaria de te chamar de meu, pois é o que desejo intensamente




Porém te chamarei de ponte, porque hoje te dei essa função. Irá me transportar do gelo ao mais ardente fogo.

terá que me levar das trevas direto para a mais intensa luz e, é claro,

da letargia para um arrebato de sentimentos.

Mas só o que escuto é o antigo refrão cravado em sua página azul...

"Outro alguém..."

"Outro alguém..."

"Outro alguém..."






quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O verdadeiro feitiço de Afrodite





Quando a verdade está escondida sob o manto da noite
e o espírito dos homens se curva,
Vejo-te envolto em tua antiga fumaça;

Quando a música não acalma e o sono não vem,
Vejo-te nas felicidades ingratas;

Quando os cães uivam a procura das almas e
gotas celestiais procuram o calor da terra
vejo-te nos olhos daqueles que se escondem;

Quando o mar arrebenta na pálpebra dos fracos
E arrasta correntes até a boca dos melindrosos
Vejo-te no coração de quem sofre;

Vejo-te em tudo o que não estás
E sinto a sua vil presença disfarçada de paixão;
Vejo-te até na carcaça de quem deveria amar e não amo;

Minha alma sopra frio querendo esquentar o corpo,
E meus olhos se fecham diante da vergonha,
Vergonha do ninho construido
E das escapas da morte certa;
Vergoha de ter te dado o brilho
E de não conseguir ascendê-lo em meu peito!

Vergonha concreta por não conseguir pensar em você
Mesmo quando te vejo em mim!