quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Outro alguém










Ainda não aprendi o que é o amor,
mas o reconheci no brilho dos seus olhos.
Não aprendi o que é amar,
mas pude reconhece-lo em seu sorriso.



Sua presença se fez tão rápida que te tenho como um ponto de luz
e nesse momento um pedaço da minha alma se partiu e seguiu.


Seguiu guiando um destino estúpido,
grudou em seu corpo como fazem os parasitas.

Senti o seu corpo em desejo e agonia,
ativo de medo e esperança me pus a sonhar.

O Sol nascendo por entre suas largas costas, brilhando através do seu toque.
tão pesado e almejado toque.

Senti que o vento te soprava para longe
quanto mais longe ia, mais meu desejo aumentava,
mais meu coração rebimbava e mais meu espirito oscilava.
Você me põe medo.



Medo da promessa quebrada, que me vinha a mente com sua camisa jogada no chão,
o fogo ardendo em beltane e você sorrindo lábios dourados.

Seu cabelo sempre igual, seu rosto inocente coberto pelo véu de Maia

sempre me fazem pensar em te laçar e te roubar pra mim.



Mas como pensar no amor se nunca fomos aprensentados formalmente?

Como posso eu ouvir, repetidas vezes, a sua musica angelical ecoando em minha cabeça

o nostalgico refrão...

"Outro alguém...Outro alguém...Outro alguém..."




Poderia te dar muitos nomes.

poderia te chamar de esperança pelo que você provoca em meu coração,

poderia, também, te chamar de inocência, afinal, é o que seu olhar transmite a todos,

gostaria de te chamar de meu, pois é o que desejo intensamente




Porém te chamarei de ponte, porque hoje te dei essa função. Irá me transportar do gelo ao mais ardente fogo.

terá que me levar das trevas direto para a mais intensa luz e, é claro,

da letargia para um arrebato de sentimentos.

Mas só o que escuto é o antigo refrão cravado em sua página azul...

"Outro alguém..."

"Outro alguém..."

"Outro alguém..."






quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O verdadeiro feitiço de Afrodite





Quando a verdade está escondida sob o manto da noite
e o espírito dos homens se curva,
Vejo-te envolto em tua antiga fumaça;

Quando a música não acalma e o sono não vem,
Vejo-te nas felicidades ingratas;

Quando os cães uivam a procura das almas e
gotas celestiais procuram o calor da terra
vejo-te nos olhos daqueles que se escondem;

Quando o mar arrebenta na pálpebra dos fracos
E arrasta correntes até a boca dos melindrosos
Vejo-te no coração de quem sofre;

Vejo-te em tudo o que não estás
E sinto a sua vil presença disfarçada de paixão;
Vejo-te até na carcaça de quem deveria amar e não amo;

Minha alma sopra frio querendo esquentar o corpo,
E meus olhos se fecham diante da vergonha,
Vergonha do ninho construido
E das escapas da morte certa;
Vergoha de ter te dado o brilho
E de não conseguir ascendê-lo em meu peito!

Vergonha concreta por não conseguir pensar em você
Mesmo quando te vejo em mim!